• Leo C. Arantes

Divinity - Volume 1


O mundo dos quadrinhos de heróis não se limita às grandes editoras como Marvel e DC, e diversas outras, como a Image Comics por exemplo, tem seu espaço garantido no mercado americano. No Brasil, porém, o cenário ainda é de monopólio das duas maiores, publicadas exclusivamente pela Editora Panini. Entretanto, nos últimos anos isso tem mudado e outras editoras tem se aventurado no mundo dos quadrinhos, como a Intrínseca publicando principalmente as obras de Jeff Lemire e o fenômeno chamado Pipoca & Nanquim.


Uma dessas novas editoras a aparecer em solo brasileiro é a Valiant, publicada pela Editora Jambô, fundada em 1989 por Jim Shooter (ex editor-chefe da Marvel) e Bob Layton (autor da clássica história do Homem de Ferro, Demônio na Garrafa). Também detentora de um universo de super-heróis, porém mais reduzido, a Valiant tem bons personagens a serem explorados e Divinity é um deles.

Roteiro

Numa pegada bem hard si-fi, o principal roteirista da editora, Matt Kindt, cria uma realidade alternativa na qual a União Soviética lançou um foguete tripulado até os confins do universo, numa missão que duraria décadas, na intensão de vencer a Corrida Espacial e impor sua força geopolítica.

O jovem cosmonauta a embarcar nessa viagem é Abram Adams, um jovem negro que foi abandonado por sua mãe na porta de um orfanato, e após ser acolhido pelo governo russo, recebe treinamento desde de muito novo para cumprir a missão e levar a Mãe Rússia ao posto de nação suprema da Terra.


Adams cresceu longe de uma família tradicional e foi inserido no contexto militar muito cedo, isso o diferenciava dos demais principalmente por livrá-lo de "distrações familiares", mantendo foco exclusivo nos estudos e na exaltação do poder soviético. Melhor aluno das classes em que passou e um exímio atleta em várias modalidades, ele foi moldado como uma máquina para ser o símbolo de uma vitória ideológica sobre os americanos.


Por se tratar de uma missão praticamente sem volta, alguns fatores foram preponderantes para a escolha de quem seria o enviado e a aptidão física e psicológico inabalável de Adams, somadas ao fato dele ser órfão e não ser casado contaram a seu favor. E nem mesmo o relacionamento, guardado em segredo, com Eva e sua gravidez, abalaram o determinado oficial russo a singrar pelo espaço em busca do desconhecido.


Na vastidão do espaço, décadas após sua partida, Adams e mais dois cosmonautas encontram algo que mudaria suas vidas e os rumos da Humanidade para sempre. Essa energia misteriosa com que se depararam lhes concede poderes inimagináveis.

Achando ter encontrado o propósito final de sua missão, Adam retorna à Terra quase que instantaneamente devido aos seus poderes recém adquiridos. Considerado agora uma "Divindade", ele é recebido com receio pelos líderes políticos e entra em combate contra os heróis que agora defendem o planeta.

Veredito

Divinity é um ótimo exemplo de que quadrinhos de super heróis não estão limitados a homens musculosos e equipes super poderosas, podendo explorar por outros gêneros, como a ficção científica e o drama.


Além dos elementos de ficção científica presentes na trama, Matt Kindt ainda insere uma boa dose de filosofia, dando ao personagem uma personalidade niilista, alheia ao seu ambiente, como se seus poderes o tivessem elevado à onisciência, transformando tudo aquilo que está ao seu redor em insignificância.


A maneira como o autor transita entre o presente e o passado também é bastante satisfatória, em especial porque podemos facilmente distinguir um período de tempo do outro sem gerar confusão durante a leitura; o mesmo, porém, não se pode dizer sobre as alucinações, tanto do protagonista, quanto daqueles que entram em contato com ele, mas nesse caso o uso desse recurso faz total sentido dentro da ordem estabelecida para este universo.


A boa escrita do autor tem ainda mais impacto aliada à bela arte de de Trevor Hairsine, que dá o tom si-fi e a sensação de pequeneza nas cenas no espaço, com particular destaque para os trajes espaciais dos cosmonautas, cheio de cabos e apêndices, dando um ar quase inumano a eles, além de conferir um contemplativo nos momentos de introspecção do protagonista, tudo muito bem colorido por Ryan Winn.


Pra quem deseja sair da mesmice dos quadrinhos de heróis e adentrar um mundo mais baseado na ficção científica, Divinity é uma ótima sugestão. Além dessa publicação, a Editora Jambô tem trazido mais títulos para o Brasil como X-O Manowar, Ninjak e Bloodshot, que terão review em breve aqui no Hype Infinito.


Se você se interessou por esse quadrinho, use este link e ajude o Hype Infinito a crescer!

2 visualizações0 comentário

Posts recentes

Ver tudo