• Leo C. Arantes

Exterminador do Futuro: Destino Sombrio (Com Spoilers)

ESTA CRÍTICA CONTÉM SPOILERS

Depois de algumas tentativas frustradas de retomar a história da guerra entre humanidade e inteligência artificial e as viagens no tempo decorrentes dessa batalha, a franquia tem, enfim, uma continuação de qualidade ligeiramente superior aos filmes anteriores - o que não é um tarefa tão difícil assim - porém sem grandes novidades. O filme tem um roteiro bem previsível, renovando apenas o elenco principal, constituído majoritariamente por mulheres, representatividade que acontece organicamente, sem ser forçada; o aumento da qualidade do longa se deve em especial à produção, que retornou às mãos de seu mentor, James Cameron, que sabe melhor do que ninguém como conduzir esta saga.


Destino Sombrio é uma continuação direta do segundo filme, O Julgamento Final, e faz questão de esquecer todos os outros filmes, como forma de revitalizar a franquia mas sem perder a essência do que conhecemos como Exterminador do Futuro. Neste filme vemos que Sarah e John Connor, mesmo depois de se livrarem do androide T-1000, ainda continuaram sendo perseguidos por dezenas de outros T-800, que sucessivamente chegavam do futuro com a mesma missão: assassinar o líder da resistência humana no futuro. Com isso desvendamos o porquê John não aparecia em nenhum trailer, e digamos que foi uma solução bem previsível e preguiçosa do roteiro. Apesar disso mãe e filho conseguiram mudar o futuro e impedir a destruição da humanidade pelas mãos robóticas da Skynet, o que eles não esperavam era que, ao que tudo indica, essa guerra é inevitável.


O roteiro, simples até demais, não é nenhuma novidade para os fãs da franquia: um androide vem do futuro a fim de eliminar alguém que será importante no conflito futuro entre humanos e máquinas. Premissa que já está mais do que gasta, o que nos leva questionar o porque de fazer um novo filme e desgastar ainda mais a imagem da franquia, que já está saturada de filmes medianos. Se a resposta dessa pergunta parece óbvia, o tiro saiu pela culatra, já que o orçamento do longa foi de U$185 milhões e arrecadou apenas U$261 milhões até o momento, se tornando um dos grandes fracassos do ano, já que para a Paramount lucrar com o filme, as bilheteria deveria ser de pelo menos U$450 milhões.

A intenção deste filme era criar uma continuação, se conectando diretamente com o segundo filme (o que acontece logo na primeira cena), o último feito por James Cameron, mas também um reboot, com a intenção de iniciar uma nova trilogia. E ignorar os 3 filmes feitos sem a benção de Cameron era uma estratégia necessária para enxugar a franquia e excluir as obras de qualidade duvidosa. Entretanto, pouquíssimos aspectos diferenciam esta das continuações esquecíveis feitas anteriormente, como por exemplo o elenco, já citado, formado quase por inteiro por mulheres, a entrega delas aos seus papéis, e as cenas de ação, muito bem feitas, apesar de se estenderem um pouco; além da típica atualização da tecnologia dos robôs que perseguem os protagonistas.

Direção e Elenco

Aqui se concentram boa parte dos pontos positivos que o longa possui, principalmente quando se trata do elenco. As três personagens centrais da trama: Dani Ramos, Grace e Sarah Connor, interpretadas por Natalia Reyes, Mackenzie Davis e Linda Hamilton respectivamente, se encaixam muito bem, especialmente em relação às suas personalidades, que, dadas as diferenças, ilustram as diferentes facetas da própria Sarah Connor (a garota ingênua do primeiro filme, Danny, que se torna uma mulher durona no segundo, Grace). Falando em Sarah Connor, Linda Hamilton está ótima no papel.


Aqui, 24 anos depois de Julgamento Final, depois de ver seu filho ser brutalmente assassinado por um dos androides enviado para o passado pela Skynet, ela teve tempo de sobra para se preparar para um confronto com as máquinas. Mesmo sendo procurada pela polícia americana, ela continua sua missão de proteger a humanidade da aniquilação, e para isso conta com uma ajuda misteriosa, que a envia mensagens com localizações, datas e até horário da próxima expedição robótica ao passado. Ainda mais badass que no segundo longa, Sarah tem a função diferente em Destino Sombrio, passando o protagonismo para Danny e Grace, ela funciona mais como uma mentora, que sabe como agir contra uma ameaça como o Rev-9 - novo androide do futuro - e que ensina ambas como tirar alguma vantagem do inimigo.


Com uma personalidade um tanto quanto canastrona, a la filmes de ação das décadas de 1980 e 1990, Sarah lidera as duas jovens em cenas de ação muito bem coreografadas, com aquela violência que agrada particularmente os fãs deste gênero e que não se preocupam muito com roteiro e outros quesitos mais técnicos da sétima arte, já os cinéfilos mais críticos podem sentir certo desconforto com a extensão destas cenas, pois tomam tempo demais e deixam o desenvolvimento da trama pra escanteio.

Pontos Fracos

Assim como as outras continuações, Destino Sombrio parece ser só mais uma gota em um mar de filmes de ação genéricos. Os poucos aspectos que poderiam o tornar exclusivo já foram usados inúmeras vezes dentro da própria franquia, como por exemplo o ciborgue Rev-9, interpretado por Gabriel Luna ("Motorista" Fantasma de Agents of Shield), que tem a incumbência te matar a protagonista Daniella Ramos. O antagonista exibe tecnologia semelhante à liga polivalente mimética que o T-1000 já possuía em Exterminador do Futuro: Julgamento Final. Ele tem ao menos uma característica distinta do personagem de Robert Patrick: a capacidade de se duplicar; Cada uma de suas metades toma uma forma diferente da outra, atribuindo-as habilidades diferentes. Uma, mais resistente, toma a forma de um esqueleto de metal semelhante ao T-800, porém mais leve, se restringindo apenas a executar tarefas simples e obedecer comandos da parte detentora de inteligência, esta, formada por nanotecnologia, concedendo-a a capacidade de se transmutar em qualquer pessoa e transformar seus membros em lâminas, assim como o T-1000.


Veredito

O diretor Tim Miller, conhecido por seu ótimo trabalho em Deadpool, até que tentou, mas o novo episódio da franquia Exterminador do Futuro não alcançou as expectativas que foram criadas para o projeto. A volta de James Cameron para a produção, dando até alguns pitacos no roteiro, não foi suficiente para criar uma continuação digna dos dois primeiros filmes, e nem a tão aguarda aparição, tardia diga-se de passagem, de Arnold Schwarzenegger conseguiu arrancar aquele sorriso dos amantes do ciborgue do futuro, criando na verdade um desapontamento, já que ele só é inserido na trama no terço final do longa. As cenas de ação até que são boas, mas nada que se destaque na multidão. Já as atuações são realmente um ponto a ser elogiado. Linda Hamilton está perfeita no papel que a consagrou em Hollywood; Mackenzie Davis também se sobressai, entregando uma personagem complexa, disposta às últimas consequências para cumprir sua missão de proteger a protagonista; Gabriel Luna é outro que, com algum esforço, entrega uma interpretação digna de seu antecessor, Robert Patrick, apresentando um androide frio e ameaçador.


Exterminador do Futuro: Destino Sombrio entra pra lista de filmes de ação genéricos, que até exibem pontos positivos mas que, sem a ajuda dos roteiristas, não conseguem alçar voos mais altos. Se esse é mesmo o início de uma nova trilogia, cabe a nós esperar que os erros deste filme não sejam cometidos nas continuações e que mudanças substanciais aconteçam para que a franquia tenha uma nova vida no futuro.

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