• Leo C. Arantes

Godzilla vs. Kong


Estreou no último final de semana, nos cinemas norte americanos e na plataforma de streaming HBO Max, um dos filmes mais aguardados do ano, Godzilla vs. Kong com a tarefa de expandir o monstroverso da Legendary Pictures e entrelaçar as histórias dos monstros mais amados da cultura pop. O filme mantém a qualidade dos filmes anteriores, mas executa um padrão semelhante de erros e acertos, se destacando especialmente na qualidade dos efeitos especiais e no que os fãs mais queriam ver, monstros gigantes saindo na porrada.

Roteiro

Sequência direta de Godzilla: Rei dos Monstros e Kong: Ilha da Caveira, o filme se inicia com Kong insatisfeito por estar preso numa instalação da Monarca, um domo que simula o ambiente da Ilha da Caveira, sendo estudado e monitorado por uma equipe de cientistas liderada pela doutora Ilene Andrews (Rebecca Hall); ao mesmo tempo que ataques do Godzilla começam a preocupar os governos ao redor do mundo.


A Apex, empresa rival da Monarca e vítima desses ataques, está atrás de uma fonte de energia revolucionária que pode estar escondida na Terra Oca, local de onde as criaturas surgem. Para isso Walter Simmons (Demián Bichir), presidente da empresa e Ren Serizawa (Shin Oguri) filho do dr. Serizawa de "Rei dos Monstros", recrutam o cientista Nathan Lind (Aleksander Skarsgard) para convencer a dra. Andrews a levar Kong até a Antártica, onde uma base foi estabelecida no antigo local de hibernação de King Gidorah e que mantém uma passagem para a Terra Oca.

O plano é muito arriscado, já que Godzilla e Kong são Alphas e como dita no filme anterior (Rei dos Monstros), duas criaturas alpha não podem coexistir, e sempre que isso acontece, eles são atraídos um até o outro para que travem uma batalha mortal, restando apenas o verdadeiro alpha. Porém, ignorando o perigo, Kong é sedado e transportado em direção à Antártica.


Esses primeiros acontecimentos servem para preparar o caminho para o que virá adiante, mas arrastam muito a trama, levando 40 minutos para que os monstros se enfrentem pela primeira vez. Além disso o núcleo da história focado na personagem de Millie Bobby-Brown (Madison Russel) é extremamente inútil, com cenas beirando a infantilidade e que poderiam facilmente estar em um filme de aventura de qualidade duvidosa que passa na Sessão da Tarde. É claro que a atriz tem seu apelo e seu nome atrai espectadores desde a estreia de Stranger Things, mas até a qualidade de sua atuação é contestável.


No transporte para o continente gelado, a presença de Kong é percebida por Godzilla que intercepta a frota da Apex e o primeiro confronto entre os dois titãs acontece em alto mar, em um dos pontos altos do filme e que os trailers já haviam revelado. Esse é também um dos problemas que a produção como um todo apresenta, apesar de a grande surpresa do longa ter sido guardada, o marketing expositivo demais acabou revelando cena importantes do filme que poderiam ter melhorado a experiência do espectador se tivessem sido parcial o totalmente ocultadas dos trailers.

Kong e os humanos que o estavam transportando conseguem se livrar de Godzilla e finalmente chegam até a Terra Oca, enquanto o Rei dos Monstros se encaminha para Hong Kong, sede da Apex e local do laboratório que está desenvolvendo um defesa para a ameaça que os titãs oferecem para a humanidade. Mas mesmo estando em lados oposto da crosta terrestre, Godzilla sente a presença alpha de Kong na Terra Oca e a batalha final entre os dois titãs é travada.

Direção e Elenco

Como em quase todo filme de monstros gigantes o que nos interessa são os monstros gigantes, o elenco humano sempre é desprezado ou mal aproveitado. Em Godzilla vs. Kong não diferente, como já dito o núcleo de Madison Russel (Millie Bobby-Brown) parece descolado do resto da trama e destoa muito do tom mais sério que o roteiro tenta emplacar. Já a parte que cabe aos vilões, Ren Serizawa e Walter Simmons, é marcada especialmente por ser muito caricata, seguindo à risca a cartilha de vilão maléfico que conta todo o seu plano enquanto ri dos mocinhos.


Dos humanos, quem se salva, mas nem tanto, são aqueles que estão no grupo que leva Kong até a Terra Oca, principalmente a Dra. Andrews e a garotinha Jia (Kaylee Hottle), última sobrevivente da tribo de selvagens que vivia na Ilha da Caveira e que tem uma ligação muito forte com Kong, conseguindo se comunicar com o titã através da língua de sinais. Essa é a peça do roteiro que mais se encaixa no todo e que mais faz sentido dentro daquilo que a trama precisa para se desenvolver, além de conter menos clichês rasos, inseridos no roteiro apenas para aumentar a duração do filme.


Porém o filme tem qualidades que superam os problemas "humanos" que são recorrentes. Adam Wingard superou a desconfiança gerada pelo eu último trabalho como diretor, o deplorável Death Note da Netflix, e diferente de Gareth Edwards no Godzilla de 2014 e Michael Dougherty em Rei dos Monstros de 2019, exalta as batalhas e mostra o que os fãs querem ver. Se nos filmes anteriores quase todos os confrontos entre titãs eram escondidos por sombras ou fumaça, aqui tudo está a vista, e até mesmo a segunda batalha entre Kong e Godzilla que acontece à noite em Hong Kong é iluminada de forma espetacular pelo neon coloridos dos prédios.

Essa paleta de cores quentes, marcada pela dualidade, quase sempre azul e laranja, é característica do diretor de fotografia Ben Seresin, que entre outros filmes, trabalhou com Michael Bay em Transformers, franquia conhecida por também ter essa característica, o que dá a sensação de que todo o filme foi gravado nas últimas horas do dia, na chamada hora dourada. Outra qualidade na fotografia é a movimentação da câmera que Seresin utilizou nas batalhas, ora acompanhando os golpes, ora em planos gerais mostrando sua magnitude tornaram as lutas dinâmicas e bonitas, facilitando até a compreensão do que está acontecendo.

Veredito

Godzilla vs. Kong vem batendo os recordes de bilheteria ao redor do mundo, tanto nos cinemas, nos países onde já estão liberados, quanto nas plataformas de streaming, não apenas por ser o primeiro grande blockbuster a ser lançado nesse período de pandemia, acabando com a saudades dos fãs que estavam órfãos de um lançamento desse tamanho, mas muito porque é um bom filme, que entrega aquilo que os trailers prometeram e diverte na proporção de seus protagonistas.


Como sempre a parte do roteiro que cabe aos humanos acabou devendo um pouco, mas bem menos que nos outros filmes do monstroverso, e apesar de dois dos três núcleos principais serem muito caricatos ou esquecíveis, algumas descobertas feitas por alguns deles podem gerar boas histórias no futuro, principalmente quanto à exploração da Terra Oca.


A beleza das cenas e a qualidade dos efeitos gráficos é sem dúvida o maior atributo do longa, sendo executado quase à perfeição, exibindo os titãs à luz do dia, ao contrários dos filmes anteriores que sempre mantinham as criaturas escondidas sob a luz da Lua ou fumaça. Essa qualidade gráfica aliada à movimentação da câmera, criaram um bom filme de ação/aventura, que diverte o espectador e corresponde com aquilo que esperávamos desse encontro de titãs.

4 JOIAS DO INFINTIO

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