• Leo C. Arantes

Liga da Justiça - Snyder Cut

Atualizado: Abr 13


Tal como a equipe de super heróis da editora concorrente, qualquer produção que carregue o peso do nome da Liga da Justiça sempre será um evento capaz de parar a internet. E após quatro longos anos do lançamento decepcionante de uma colcha de retalhos, que ousaram chamar de Liga da Justiça, e de tudo o mais que se seguiu, a Warner/DC cedeu ao apelo incessante que os fãs fizeram através da campanha #ReleaseTheSnyderCut, além dos pedidos do próprio diretor, e finalmente tivemos o lançamento da versão original, ou pelo menos o que deveria ser a visão original de Zack Snyder para a Liga da Justiça.

Roteiro

Mesmo tendo quatro horas de duração, o dobro da versão de 2017, esta versão da Liga da Justiça não altera a história que já foi contada, salvo por alguns detalhes que enriquecem a trama mas não mudam os rumos do roteiro. A maioria desses detalhes foi inserida através de cenas regravadas ou a adição de cenas que foram inicialmente excluídas, o que aumentou consideravelmente a duração (exagerada na minha opinião) e melhorou a qualidade do longa, desenvolvendo personagens importantes e trazendo mais coesão, o que não estava tão presente 4 anos atrás.

Um desses personagens que foi melhor aproveitado no Snyder Cut foi o Cyborg, o principal fio condutor do enredo, mas que foi completamente deixado de lado anteriormente, tendo sido inserido de maneira abrupta e sem muita explicação no filme anterior, assim como o Flash. Aqui o personagem recebe um arco dramático completamente diferente, tendo sua tragédia familiar contada e explorada desde o início, mostrando sua transformação em máquina não como um dom herdado, mas uma maldição que o isola do resto do mundo na mesma medida em que o conecta a tudo a sua volta.


Outro ponto que se destaca em relação ao que foi feito antes, foram as cenas de batalha entre as Amazonas e o vilão do filme, Lobo da Estepe. Na primeira ocasião, quando a Caixa Materna guardada pelas Amazonas desperta e chama a atenção do vilão, a cena é bem mais brutal e com um senso de urgência muito maior, a noção do perigo é iminente e o visual reformulado do vilão é imponente e ameaçador. Já na segunda vez o tom épico da batalha lendária, que uniu Homens, Atlantes e Amazonas contra as tropas de Darkseid é fantástico, dando mais ênfase à mitologia que precedeu o mito do Soberano de Apokolips.


Zack Snyder não alterou as linha narrativa remendada as pressas pro Joss Whedon, a mando da Warner, mas a maneira como ela foi conduzida, com mais cadência e fazendo as ligações entre cenas e eventos dentro do filme com muito mais fidelidade, tanto ao que já tinha sido feito no universo cinematográfico da DC, quanto ao que os fãs pediam a respeito da produção, principalmente porque o diretor teve tempo para ouvir as reclamações e pensar em como resolver os problemas durante esses 4 anos.

Entre os vários problemas que a produção de 2017 tinha, um dos mais comentados era o visual mal acabado do vilão e sua motivação um tanto rasa para o tamanho da ameaça que foi anunciada. Apesar do plano de redenção de Steppenwolf ter sido mantido, algumas camadas foram adicionadas à sua personalidade, e um visual bem mais ameaçador conferiu a ele o peso de um vilão de verdade, cuja presença é sentida e temida pelos heróis.


A duração do Snyder Cut é um dos aspectos mais comentados nas redes sociais e com razão, pois não é sempre que vemos um filme com incríveis quatros horas de duração. Desde o começo já sabíamos que algumas cenas a mais seriam inseridas, principalmente porque na transição entre algumas cenas ficou um vazio, e isso precisava ser corrigido. Porém algumas cenas ainda ficaram sobrando, como as duas em que o Caçador de Marte aparece, ou deveriam ser melhor editadas, como a apresentação do Flash, que conta com uma trilha sonora claramente desconectada do contexto.

Direção e Elenco

A visão que Zack Snyder tinha do longa, e em especial para Darkseid, era completamente diferente das da equipe criativa "reserva", que excluíram o vilão do filme de 2017 e tiraram as chances de uma continuação ser produzida. Para o diretor, o Soberano de Apokolips seria o vilão principal em uma trilogia e sua aparição seria apenas um sinal do que viria pela frente, muito semelhante com o que Thanos foi na cena pós-créditos do primeiro filme dos Vingadores.

Seus planos mais ousados para o futuro do universo estendido DC ainda incluíam aquela realidade que foi vista através do sonho de Bruce Wayne: um futuro em que a Terra seria subjugada por Darkseid e o Superman dominado pela equação Anti-Vida, se tornando um dos generais do vilão, subjugando os heróis com mão de ferro.


Mas o que foi mais otimizado foi a qualidade narrativa, em particular porque as cenas que interligavam a trama foram colocadas em seu lugar de direito, as motivações de cada personagem foram esclarecidas e a inclusão de novos elementos, sejam personagens ou objetos que sirvam como recursos narrativos, foi apresentada mais naturalmente.


Vale ressaltar novamente a ótima atuação de Ray Fischer como Victor Stone/Cyborg, que foi mutilada (com o perdão do trocadilho) no filme de anos atrás. A tragédia que o seu personagem passou é carregada por todo o filme e, apesar de o abater por boa parte, é o que o incentiva e gera seu amadurecimento.


Entretanto, nem tudo que reluz é ouro, e alguns excessos cometidos pelo diretor impediram a produção de tirar uma nota 10. Os fãs de longa data de Zack Snyder já conhecem bem o seu estilo, que apesar de ter uma fotografia muito bem executada, é muito marcado pela câmera lenta, o que torna o desenvolvimento do roteiro muito arrastado. Da mesma forma a trilha sonora, que na maioria das vezes acentua a experiência do espectador, é exagerada em alguns pontos, como nos vocais femininos que surgem todas as vezes que a Mulher Maravilha entra em cena.

Há ainda algumas cenas que poderiam ser encurtadas ou até mesmo excluídas, como por exemplo as várias vezes em que o Lobo da Estepe entra em contato com DeSaad ou a primeira vez que Diana é apresentada, na cena do museu. Esses excessos, se reduzidos da maneira correta, poderiam reduzir o tempo final do filme em no mínimo 30 minutos ou até mais.

Veredito

Quatro anos e muita mobilização depois o mundo pôde ver o que deveria ter sido a Liga da Justiça, ou pelo menos o que seria a versão estendida do diretor. Com o CGI mais refinado e algumas cenas importantes a mais, Zack Snyder finalmente conseguiu dar vida a seu projeto e satisfez críticos e fãs, trazendo as ideias autorais que já o consagram, como que atendendo a célebre frase: "EU SOU FÃ, EU QUERO SERVICE".


Para tanto o diretor explorou mais alguns personagens como Cyborg e Flash, usando-os ativamente como recursos no desenvolvimento do roteiro e nas soluções exigidas pela ameaça presente na trama. Tal ameaça, na forma do vilão Lobo da Estepe, também foi melhor elabora, ganhando motivações mais plausíveis e planos mais elaborados para a sua incursão na Terra, além de acrescentar mais camadas a personagens como Batman, Mulher Maravilha e Aquaman. E a presença do Superman que enfim faz sentido, tanto em sua concepção quanto ao seu propósito, deixando de ser apenas uma etapa do roteiro que deveria ser mostrada para se tornar a última esperança de salvação do mundo.

A fotografia dramática de Zack Snyder é executada com excelência, expondo a urgência com que os heróis precisam combater seu inimigo e como ele é poderoso para cumprir com o que promete. E por mais que câmeras lentas e algumas cafonices características do diretor ainda estejam presentes em demasia, ele consegue deixar o espectador tenso e apreensivo por toda a duração do filme, por mais longo que seja, especialmente porque sabe contar bem uma história.


O SnyderCut foi evento esperado por todos e desde as primeiras manifestações a seu favor esperava-se que tivesse o poder de mobilizar toda a internet, fazendo jus ao peso que a equipe tem para a cultura pop em geral. Chamando a atenção agora pela qualidade da produção e sua fidelidade ao material original, e não mais pela falta de coesão e aleatoriedade, dando aos fãs um gostinho de como teria sido o DCverso se as ideias e, principalmente, o luto de Zack Snyder tivessem sido respeitados em 2017.

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