• Leo C. Arantes

O Bóton - Batman/The Flash - Sem Spoilers

Atualizado: Mar 24


O Bóton serve de prelúdio para o que virá, na próxima grande saga da DC ComicsO Relógio do Juízo Final (Doomsday Clock, no original), funcionando como um mini-crossover entre as revistas #21 e #22 de Batman e Flash. Escrita e desenhada pelas duplas Tom King (roteiro) e Jason Fabok (desenhos) de Batman e Joshua Williamson (roteiro) e Howard Porter (desenhos) de Flash, a revista apresenta uma boa história, mas não entrega que pretendia. Há muito tempo a Editora das Lendas tem tentado lucrar mais incluir o universo de Watchmen em sua linha temporal regular; vide Antes de Watchmen, controversa minissérie que tentava tirar mais uma casquinha de uma das melhores histórias em quadrinhos já feitas. Mais recentemente, em mais um relançamento/reboot de toda sua linha editorial, a editora deu ainda mais pistas que isso seria inevitável. Pequenos vestígios foram lançados em quase todos os títulos da DC Renascimento (Rebirth, no original), o que culminou no grande Hype criado em torno de “O Bóton”, que definitivamente englobaria um universo no outro.


O que vemos na edição nacional - belo trabalho da Panini, diga-se de passagem - é apenas uma sombra do que foi prometido. A história é ruim? Longe disso, muito longe. Então o que tem de errado? Perguntas. O que se esperava era que O Bóton respondesse as perguntas deixadas pelas mensais e pelos sutis indícios deixados por elas, ou pelo amarrasse as pontas soltas, mas ela não só não responde tais questionamentos, como deixa ainda mais dúvidas no ar.

Quem está criando todo esse alvoroço todos nós sabemos, ou, pelo menos, deveríamos suspeitar; mas qual o envolvimento do Pirata Psíquico? Qual foi o motivo de Batman e Flash visitarem a realidade do Ponto de Ignição? Aliás, essa realidade já não tinha deixado de existir? São algumas dúvidas que foram acrescentadas ao mar de incertezas. Por não ter acompanhado todos os títulos da DC Renascimento por motivos que não vêm ao caso, talvez eu tenha ficado com mais dúvidas que o resto dos leitores e o saldo final de O Bóton não tenha sido tão confuso assim. Falando assim até parece que o roteiro é meia boca, capenga e não leva lugar algum. Muito pelo contrário, o enredo é bem construído ao redor do mistério do bóton e da busca por mais informações sobre ele. Após ter visões de seu pai, Batman contata o Velocista Escarlate para que juntos descubram o que está acontecendo com a realidade, que parece estar sofrendo algum tipo de anomalia. Antes que pudessem se ver, o Flash Reverso, surge na Batcaverna, também em busca do dito bóton, tendo uma luta alucinante com o Morcegão, que consegue sobreviver por um minuto ao ímpeto assassino de Eobard Thawne, que ao entrar em contato com o artefato é sugado pelo que parece ser um vórtice espaço-temporal; e retorna apenas para sofrer uma morte terrível (mais uma vez) e dizer isso aí.


Essa primeira parte, publicada originalmente na mensal do Cavaleiro das Trevas e escrita por Tom King é frenética; com artes exuberantes de Fabok que sabe usar muitos bem a grade clássica de 9 quadros usada por Alan Moore e Dave Gibbons, além das cores primárias e contrastantes de Brad Anderson que contribuem com um ar único e puro para este arco. A estreita parceria entre os dois, dá às edições feitas por eles um tom mais urgente e mais alinhado com a intenção da HQ, indo direto ao ponto mesmo sem revelar muito da trama. Já a dupla Joshua Williamson e Howard Porter, apesar de colaborarem há um bom tempo nas páginas do Flash, não conseguem apresentar suas ideias tão bem quanto seus colegas. Não que seja um desastre, mas falham tanto no roteiro, gastando páginas demais pra apresentar conceitos que poderiam ser expostos mais rapidamente, e nas artes, que, principalmente nas cenas em que os heróis estão na esteira cósmica indo de uma realidade à outra ou quando Flash usar a velocidade, parecem ter sido feitas com pressa, perdendo alguns detalhes e efeitos que poderiam ter sido melhor desenhados. O gibi mantém um clima de urgência com os dois personagens investigando esse misterioso bóton e as anomalias resultantes dele, e essa incógnita é o que move o enredo, que mesmo com seus pequenos deslizes, vai muito bem na apresentação de conceitos como viagens no tempo e realidades alternativas. É uma boa história para introduzir as ideias que virão nos próximos eventos, mesmo que seu final não mude muita coisa. Se você é um leitor de primeira viagem e deseja embarcar no Universo DC, essa é um boa pedida, já que apenas uma introdução de uma saga maior.


4 JOIAS DO INFINITO


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