• Leo C. Arantes

O Doutrinador


O anti-herói brasileiro encabeça o mais novo selo de quadrinhos nacionais, revitalizando a cena de HQs mainstream no país; O Doutrinador compartilha características com alguns personagens das grandes editoras norte-americanas, sendo muitas vezes citado como uma versão brasileira do Justiceiro. Já virou filme e até série de TV na tentativa de provar aos leitores tupiniquins que em terra brasilis também se faz quadrinhos de qualidade.

Roteiro

Situado na cidade fictícia de Santa Cruz, uma mistura de São Paulo e Brasília, o personagem persegue não apenas políticos envolvidos em escândalos de corrupção, mas também traficantes, pessoas públicas e diretores de grandes corporações que de algum modo tenham prejudicado a já sofrida população. Sim, o argumento é bem simples, mas chega em hora oportuna, quando o país vive talvez sua maior crise política da história; com as ruas em convulsão e uma população sedenta por justiça, ver uma figura fazendo o que o povo deseja mas não tem forças para fazer é de certa forma recompensador, ainda mais quando percebemos uma grande semelhança entre os políticos retratados na páginas da revista e os reais, explicitando que está não apenas uma HQ ficcional que faz uma alegoria aos problemas atuais da sociedade brasileira, mas uma crítica direta e substancial ao sistema político e judiciário brasileiro.

Como precursor de um novo universo super-heroico, o Universo Guará, esperava-se algo mais original da parte de Luciano Cunha quanto ao enredo, que parece ter apenas abrasileirado as histórias de Frank Castle, personagem da Casa das Ideias. A velha história do ex militar, cansado da corrupção e impunidade, que busca fazer justiça com as próprias mãos após sofrer uma tragédia familiar decorrente de seu antigo ofício não é novidade para absolutamente ninguém, porém a ambientação, muito bem feita diga-se de passagem, e a identificação que o personagem causa no público brasileiro o fazem um bom pioneiro.

Veredito

Mesmo com roteiro carente de originalidade, O Doutrinador cativa o público principalmente através do apelo social, assemelhando-se bastante a V de Vingança, tanto na motivação, quanto nas características físicas (não ter um nome "civil" e ser visto apenas por trás da máscara) e no modus operandi. Sendo assim fica difícil separar a HQ do viés político-ideológico tão presente em suas páginas e as duras críticas feitas ao Estado, bem como à mídia tendenciosa e ávia por sensacionalismo, permitem ao leitor ter a nítida sensação de que este universo é real, mais palpável que super-heróis coloridos de capas esvoaçantes e ameaças vindas de outro planeta.

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