• Leo C. Arantes

Oblivion Song - Vol. 1 e 2

Atualizado: Mai 9

A brisa, as criaturas ao longe, os insetos... Tudo se misturava, e nunca ouvi nada parecido desde então... Era como música.

Em março de 2018, Robert Kirkman, criador de The Walking Dead, saindo do gênero de horror que o consagrou como um dos grandes quadrinistas da nova geração, e entrando na seara da ficção científica, iniciou seu novo título no mainstream dos quadrinhos pela editora Image Comics, Oblivion Song, história que mescla várias características clássicas do gênero, como um mundo pós apocalíptico e a viagem entre dimensões de maneira muito divertida e sobretudo imersiva.

Roteiro

Anos atrás, um bairro inteiro da Filadélfia, de forma inexplicável, foi trocado com uma dimensão assustadora, chamada Oblivion, repleta de monstros ferozes que rapidamente instauraram o caos por toda a cidade, matando milhares de pessoas. Os moradores das áreas que foram trocadas, cerca de 300 mil pessoas, se viram em um novo mundo, forçados a lutar pela sobrevivência em uma realidade, além de completamente desconhecida até então, inóspita e ameaçadora.

Após essa tragédia, o governo investiu milhões em uma força tarefa organizada para resgatar as pessoas que haviam sido teletransportadas para Oblivion, porém, após 10 anos sem muitos resultados, e poucas pessoas resgatadas, os recursos foram cortados e a operação encerrada.


Entretanto, um cientista chamado Nathan Cole, auxiliado por sua equipe, e contrariando até o exército, se aventura todos os dias em Oblivion em busca de sobreviventes. Nathan, ainda nutre a esperança de reencontrar seu irmão Edward, uma das vítimas transportadas para a outra realidade, e sua personalidade forte e determinação em trazer o máximo de pessoas de volta o tornam um protagonista marcante, ainda mais com os segredos que ele guarda sobre toda a situação, nos fazendo questionar se suas intensões são realmente aquelas que nós vemos.


Com isso, o roteirista nos leva a explorar o mundo de Oblivion junto do protagonista, colocando-nos ao seu lado em busca de novos sobreviventes e conhecendo os monstros e peculiaridades deste lugar hostil. Nesse ponto vemos o talento de Kirkman para criação de mundo, apresentando um universo rico, cheio de nuances e mistérios próprios, sem usar clichês frequentemente vistos em obras de ficção científica, um exemplo é a característica que dá nome à publicação: Oblivion Song é um um ruído único desta realidade alternativa, que torna ela singular e inesquecível para aqueles que já passaram por lá.

Logo no início da segunda edição Nathan reencontra seu irmão, mas as circunstâncias não são as que ele esperava e a revelação do estado surpreendente em que Edward se encontra desencadeia novas tramas, sempre recheadas de diálogos inteligentes, claros o bastante para entendermos a situação e enigmáticos o suficiente para manter a tensão entre os personagens e prender nossa atenção.


Diante das revelações que seu irmão o faz, Nathan percebe que as pessoas transportadas para àquele mundo não estão afim de voltar à Terra como ele imaginava. Suas vidas foram mudadas drasticamente com o evento: não há mais a correria da vida na cidade, seus interesses não estão mais em dinheiro e status, e sentimentos como inveja e ganância foram abolidos de suas relações. Todos estão felizes com suas vidas, e Nathan é visto como um vilão, que tira as pessoas de um lugar pacato para leva-las de volta ao sofrimento.

Veredito

Robert Kirkman é um dos grandes roteirista da atualidade e não é pra menos, depois do sucesso estrondoso de The Walkind Dead, nos quadrinhos e sobretudo na TV, seu mais novo título já entrega uma trama extremamente envolvente com apenas duas edições, prometendo um nível altíssimo de suspense e ação para as próximas. Oblivion Song apresenta uma premissa original, marcada pela pegada bem hardcore de ficção científica, característica de Kirkman, com diálogos inteligentes e fluidos, sem ser explicativo ao extremo.


O talento do roteirista, aliado à arte da dupla italiana, Lorenzo Di Felici, com seus traços sujos e bem marcados, e Annalisa Leoni, que dá cores vivas e quentes ao cenário, fazem de Oblivion Song uma grata surpresa entre as HQs mainstream, e uma ótima alternativa para aqueles que estão iniciando no mundo dos quadrinhos, ou àqueles leitores de longa data que estão cansados das histórias de heróis, com invasões alienígenas e explosões com raio azul.


Vale mencionar o bom trabalho que a Editora Intrínseca tem feito para o crescimento do número de leitores de quadrinhos no Brasil, trazendo vários títulos pouco conhecidos no país, especialmente da Image Comics, como os de autoria de Robert Kirkman, já citados, e Jeff Lemire, como Decender e Black Hammer, além Deuses Americanos, do aclamado roteirista britânico Neil Gaiman e O Árabe do Futuro, premiada HQ autobiográfica do quadrinista Riad Sattouf.


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