• Leo C. Arantes

Sombra Lunar - Sem Spoilers

Atualizado: 2 de Jan de 2020


Sombra Lunar é mais um exemplar da enxurrada de novos filmes produzidos pela Netflix afim de somar títulos ao seu catálogo, tendo em vista o surgimento de vários outros serviços de streaming como Amazon Prime Video e Disney+; e na onda da série Dark, o filme também tem seu plote principal relacionado à viagens no tempo, eventos cíclicos e assassinatos misteriosos.

Roteiro

Mas diferente da série alemã (que você pode ler nossa resenha aqui) o longa conta com uma trama menos complexa e sem vai e vem entre linhas temporais. Em 1988 na cidade de Filadélfia, quatro pessoas são mortas sob circunstâncias misteriosas: as quatro vítimas sagraram até a morte por todos os orifícios da cabeça, tendo, inclusive, seus cérebros liquefeitos. Todas as vítimas parecem estar conectadas à uma mulher misteriosa que os inflige três perfurações na nuca. Após um perseguição no metrô, o policial em começo de carreira Thomas Lockhart tem a chance de deter a suspeita, porém, em uma luta corporal ela acaba caindo e sendo atropelado por um trem. E onde entra a viagem no tempo? Em 1997, desafiando a lógica, a mesma mulher reaparece, cometendo os mesmos crimes. O que leva a protestos contra a segregação racial e ao racismo, já que, ao que tudo indica a garota morta 9 anos atrás era inocente, e por ser negra teria sido acusada injustamente.


Devido sua ambição para solucionar o caso, Lock é promovido a detetive logo após o desfecho do caso de 1988, o que soou um tanto forçado, já que o caso foi arquivado e o corpo da suposta assassina nunca foi identificado. O curto diálogo com a suspeita no metrô já foi o bastante para deixar uma pulga atrás da orelha de Lockhart, que com o retorno da misteriosa mulher, fica obcecado pelo caso, indo até as últimas consequências para solucionar o enigma que ronda a Filadélfia. Perdendo a sanidade a cada ciclo, o agente se afasta da sua filha, única pessoa que pode considerar como família, já que sua esposa morreu durante o parto da garota, exatamente no dia em que os primeiros assassinatos foram cometidos, em 1988; e o seu cunhado, o também detetive agente Holt não é nem de longe alguém que inspire confiança.

Direção e Elenco

O diretor Jim Mickle, apesar de não ter grandes produções em seu currículo, fez um bom trabalho em Sombra Lunar. Sem muita invencionice, Jim faz o feijão com arroz e agrada no modo como conduz a história, que mesmo acelerada no início, não nos deixa confusos com novos personagens pipocando na trama. Aliás, os primeiros minutos parecem cenas de uma série de investigação criminal como CSI ou Treu Detective, por exemplo. Ainda no primeiro ato vemos o primeiro ciclo de assassinatos, ocorrido em 1988, o segundo, em 1997 e um time lapse do terceiro ciclo, em 2006; deixando para o segundo ato a investigação doentia de Tom Lock em busca de respostas para o que parece desafiar as leis da física e sua decadência familiar, ficando a perseguição ao que aprece ser a resposta final para o mistério somente para os minutos finais do terceiro ato.


As cenas de ação estão admiráveis, em especial a perseguição nos arredores da Filadélfia, que se sucede ao primeiro encontro entre o policial e a suspeita, sem cortes excessivos e com uma fluidez bem cadenciada. Cabendo elogios ao diretor de fotografia, David Lanzenberg, conhecido mais por dirigir clipes musicais, entre eles sucessos de Akon e Lanny Kravitz, e mais recentemente um par de episódios da série de horror e fantasia, também da Netflix, O Mundo Sombrio de Sabrina. David faz uso do já batido filtro esverdeado, típico de obras de ficção científica, mas diferente de Matrix, por exemplo, mais atenuado, sendo mais perceptível, principalmente, nas cenas noturnas, que aliado ao brilhos das luzes da cidade cria um ambiente enigmático. Além de abusar de planos sequência, planos abertos e até planos menos convencionais para aumentar a imersão na história.


Por falar em imersão, Boyd Hoolbrook (Logan e O Predador) se entregou completamente ao papel, sendo de longe o que melhor transparece a essência do personagem; diferente de Michael C. Hall (Dexter) que, devido ao pouco tempo de tela e um papel até genérico podemos dizer, não consegue desenvolver seu personagem; e Cleopatra Coleman como a principal antagonista o longa é apenas razoável, até porque o roteiro não exigiu à sua personagem grande interpretação.

Veredito

Com uma premissa simples e já utilizada à exaustão, Sombra Lunar é apenas um bom filme de ficção científica, sem apresentar qualquer atributo que o diferencie das inúmeras obras sobre viagem no tempo. Apesar de um bom trabalho da equipe de direção, em especial a fotografia e a sonorização que estão impecáveis, o roteiro não ajuda a produção a subir um patamar nos filmes desse gênero. Assim como as atuações apagadas da maioria do elenco ofuscam a boa atuação de Boyd Holbrook, que apesar do papel genérico - o cara que se torna obcecado por investigar um caso estranho e acaba perdendo a sanidade a medida que as evidências indicam algo, até então, fora da realidade - desempenha-o muito bem, sendo, com o perdão do trocadilho, sem sombra de dúvida o ponto mais positivo do longa.


3 JOIAS DO INFINITO


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