• Leo C. Arantes

Wandavision - 1ª Temporada


Com a pandemia do novo corona vírus o filme solo da Viúva Negra foi adiado e coube a série Wandavision inaugurar oficialmente a fase 4 do Universo Cinematográfico Marvel. Levemente baseada nos quadrinhos e diretamente influenciada pelo final de Vingadores Ultimato, a série mostra como Wanda Maximoff lidou com a perda, principalmente de seu marido Visão, duas vezes no fim Guerra Infinita, e também de seu irmão Pietro, em Era de Ultron, além de seus pais quando ainda era criança.


A série é uma clara homenagem às sitcons clássicas de décadas passadas, visitando cada uma desde de os anos 1950 e rememorando seus estilos próprios, inserindo aos poucos os elementos fantásticos e heroicos típicos das produções Marvel. Essa decisão, que poderia afastar alguns espectadores pela maneira peculiar de apresentar os conceitos da série, foi justamente o que gerou tanto hype e expectativa a cada sexta feira que se aproximava. E os acontecimentos aqui retratados prometem reverberar por grande parte das próximas produções da Disney/Marvel, especialmente em Doutor Estranho: Multiverso da Loucura.

Roteiro

Todos aqueles que haviam perdido algum ente querido o tiveram de volta logo após o blip do Hulk no final de Vingadores Ultimato, menos Wanda (Elisabeth Olsen), que ao procurar pelo corpo de Visão (Paul Bettany), encontra-o completamente desmantelado, sendo estudado para fins militares nas instalações da S.W.O.R.D. (Sentient Weapon Observation Response Division ou Divisão de Resposta e Observação a Armas Sencientes - em tradução livre) nova agência de segurança do MCU que substituirá a SHIELD, destruída ao final de Capitão América - Soldado Invernal.

Após ter seu pedido para fazer um funeral para o Visão negado, ela vai até um terreno, na pequena cidade de Westview, o qual ambos haviam adquirido para começar uma vida normal e se lembra de todo o sofrimento que havia passado até aquele momento - a perda dos pais, ainda quando criança, do irmão Pietro, no eventos de Era de Ultron, e a perda dupla de Visão em Guerra Infinita - e num momento de fraqueza emocional perde o controle sobre seus poderes, criando toda uma realidade em que nada disso havia acontecido.


Tudo isso é contado posteriormente através de flashbacks no 8º episódio, quando a "transmissão" da série já está normalizada e retratando exatamente o que está acontecendo. Antes disso o que víamos era uma representação da criação de Wanda e seu mundo fantástico, onde tudo ocorria como sua mente desejava. Mas como assim "transmissão"?


Wanda tem o poder de alterar a realidade a seu bel prazer e é exatamente isso que ela faz no momento em que deixa suas emoções controlarem seu poder. Nesse acesso de poder ela cria um domo sobre a pequena cidade, isolando-a do resto do mundo, e transforma tudo a sua volta em uma série de TV, trazendo o Visão de volta e dando vida a seus filhos, Tommy e Billy.

A série criada por Wanda, assim como as sitcons americanas, mostra a vida aparentemente perfeita da família até que pequenos acontecimentos passam a intrigar a protagonista, indicando que, talvez, ela não esteja no controle de tudo dentro do Hex, como é chamado o domo em torno da cidade. Esses acontecimentos são, na verdade, tentativas da SWORD de se comunicar com ela e de alguma maneira "desativar" a influência psicológica que Wanda está impondo sobre os moradores.


Porém, além do governo, outra pessoa também está interessada nos poderes de Wanda, essa pessoa é Agatha Harkness (Kathryn Hahn), uma poderosa bruxa que se disfarça como a vizinha Agnes. Agatha, por vezes mentora de Wanda nos quadrinhos, é detentora do livro Dark Hold, que contém o conhecimento de toda magia utilizada nessa realidade, e que tem um capítulo especialmente dedicado à Wanda Maximoff.

Direção e Elenco

A primeira série oficial do MCU chegou à Disney+ num formato incomum para produções de super heróis e surpreendeu os fãs mais desavisados, mas essa peculiaridade teve dupla serventia: explorar os poderes de manipulação da realidade, recém descobertos por Wanda, e evidenciar a qualidade dos atores, que a cada oscilação entre os gêneros abordados precisaram se adaptar, dando a cada episódio uma personalidade singular.


Isso se evidencia principalmente na ótima atuação da própria protagonista, Elisabeth Olsen, que transita entre os gêneros muito bem, assumindo os trejeitos particulares de cada década e cada sitcon homenageada, sendo acompanha a altura por Paul Bettany, fazendo da interação familiar entre eles o ponto alto da série, sobrepondo, por vezes, as revelações e desdobramentos fantásticos para o futuro da Marvel nos cinemas.


Por falar em Bettany, o ator dá um show de interpretação em sua cena "solo", trazendo um peso filosófico e emocional bastante fiel à personalidade intimista e contemplativa do personagem, característica original dos quadrinhos, mas que pouco tinha sido explorada nos cinemas.


Entre os coadjuvantes os destaques ficam para Kat Dennings, como Darcy Lewis, personagem que apareceu a primeira vez em Thor (2011) como amiga de Jane Foster, e que aqui assume um papel um pouco mais sério que aquele mostrado nos filmes do Deus do Trovão, fazendo as vezes de detetive, indo em busca respostas e possíveis meios de ajudar Wanda; e Kathryn Hahn, como Agatha Harkness, que, apesar da vilania, revelada apenas no terceiro ato da série, consegue gerar empatia no público, muito por conta da sua interpretação exagerada e diria até canastrona, mas que condiz com a proposta e com os objetivos da personagem.

Além disso, Teyonah Parris, como a heroína Monica Rambeau, apesar de ser deixada de lado durante boa parte da trama, mostra potencial para assumir um papel de mais destaque no MCU, o que pode acontecer nas futuras produções sobre Invasão Secreta. E Evan Peters, intérprete de Pietro Maximoff/Mercúrio nos filmes dos X-Men, faz apenas um participação na série, frustrando as expectativas dos fãs quanto a sua relevância na história, mas dando um aceno ao que está por vir após a compra da Fox pela Disney.

Veredito

A primeira temporada de Wandavision inaugura o novo serviço de streaming da Disney em grande estilo, trazendo um roteiro original, bem diferente do que estamos acostumados, e de quebra inicia a quarta fase do MCU nos cinemas, já dando indícios de que conexões entre as séries de TV e os filmes serão frequentes daqui pra frente (como se pode notar na cena pós-créditos que se liga diretamente com o novo filme do Doutor Estranho, Multiverso da Loucura).


Deixando um pouco de lado da tão falada "Fórmula Marvel", Wandavision explora vários gêneros cinematográficos em pouco tempo, se utilizando muito bem das homenagens às sitcons clássicas para demonstrar como a mente de Wanda Maximoff se tornou caótica após os seus seguidos traumas familiares. Traumas esses que fazem parte do tema principal da série, sendo apresentados de forma inicialmente cômica, mas que com o decorrer dos episódios, especialmente o quinto, recebe a devida atenção e seriedade na trama.


A série, é um dos poucos exemplos de produções que entregam o que prometem, não apenas pela qualidade dos atores e sua entrega ao papel, mas especialmente porque não tem pretensões megalomaníacas, mantendo seu foco na relação entre Wanda e Visão, não deixando de apresentar novos personagens e abrir as portas para novas produções, mas sempre através do desenvolvimento natural do roteiro, sem forçar a barra para mostrar algo só porque será explorado no futuro. Acima de tudo engrandece a personagem principal, fortalecendo seus poderes e dando à Feiticeira Escarlate o peso, emocional e heroico (ou talvez não?), que ela representa nos quadrinhos.

5 JOAIS DO INFINITO

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